- Dublado Portugues: Rambo 4
Enquanto o dublador original americano só precisa soar "durão", o dublador brasileiro precisa o trauma. Ouça novamente a cena em que Rambo diz: "Eu não mudo mais. Se eu mudo, eu morro." Em inglês, é monótono. Em português, há uma quebra na voz – uma hesitação milimétrica que traduz "cagaço" melhor do que qualquer tutorial de atuação. A Violência Fica Mais Real (e Mais Brasileira) Rambo 4 é um filme sobre a guerra civil de Mianmar (Birmânia). Há crianças-soldados, estupros em série e uma metralhadora .50 que transforma corpos em pasta de dente. A classificação indicativa era 18 anos, mas todo moleque de periferia viu esse filme no DVD do camelô.
Lançado em 2008 (e em DVD no Brasil em 2009), Rambo IV não é apenas o capítulo mais violento da franquia; é, para uma geração de fãs brasileiros, um case raro de como a conseguiu, paradoxalmente, humanizar um personagem feito de silêncio e tripas. O Silêncio que a Dublagem Preenche Vamos aos fatos: John Rambo, neste filme, fala menos de 100 palavras em 90 minutos. Stallone constrói o personagem através de grunhidos, olhares e uma respiração pesada. Nos Estados Unidos, isso é arte. No Brasil, isso era um problema técnico. Rambo 4 - Dublado Portugues
E aqui entra o fenômeno sociolinguístico: . Enquanto o dublador original americano só precisa soar
Isso não é acidente. O público dos anos 2000, ainda ressentido com a violência estatal, imediatamente associou a voz do vilão àqueles generais de gravata preta dos filmes da Globo. A dublagem, sem mudar uma vírgula do roteiro, injetou uma que Stallone nem imaginava. De repente, Rambo não lutava só contra birmaneses; lutava contra a opressão de farda que o brasileiro conhecia bem. O "Efeito Camelo" – Por Que Assistimos Assim Vamos ser honestos: a maioria dos brasileiros não viu Rambo 4 no cinema. Viu em DVD pirata, com legenda em espanhol ou em um arquivo .AVI onde o áudio português estava 0.5 segundo atrasado. Em português, há uma quebra na voz –
Quando falamos de Rambo: Programado para Matar (o título oficial do quarto filme no Brasil), poucos lembram do subtítulo original " To Hell and Back ". Para o público brasileiro, aquele cartaz vermelho-sangue e o olhar vazio de Sylvester Stallone não precisavam de tradução. Precisavam, sim, de voz .